A aplicação correta da Instrução Técnica de Compartimentação é crucial para a segurança contra incêndio em condomínios, prevenindo falhas que comprometem vidas e patrimônio. Este guia detalha os erros mais comuns e apresenta como um checklist auditável pode ser essencial para a prevenção, garantindo a conformidade e a segurança do seu condomínio.
Capa e identificação do documento, com campos de condomínio, data e responsável.
Este material foi elaborado para síndicos que buscam excelência na gestão de segurança predial, brigadistas que precisam padronizar inspeções e empresas de manutenção de incêndio que visam aprimorar seus serviços. Ele aborda problemas como AVCB vencido, falta de controle sobre a validade de extintores e hidrantes, e a ausência de registros de treinamento da brigada, oferecendo soluções práticas.
O Papel Vital da Compartimentação e Seus Erros Comuns
Folha de verificação com os itens, critério de aceite e campo de assinatura.
A segurança contra incêndio em condomínios não é apenas uma exigência legal, mas uma responsabilidade moral e um pilar fundamental da gestão condominial. No Brasil, as diretrizes para essa segurança são estabelecidas por normas estaduais dos Corpos de Bombeiros, baseadas em legislações como a Lei 4.591/64, o Código Civil (artigos 1.331-1.358) e a Lei 10.406/02.
A compartimentação é uma medida de proteção passiva contra incêndio, criando barreiras físicas para impedir ou retardar a propagação de fogo, calor e fumaça. Seu objetivo é proteger rotas de fuga, áreas de refúgio e o restante da edificação, permitindo a evacuação segura e a chegada das equipes de socorro. A eficácia da compartimentação depende da integridade de elementos como paredes corta-fogo, portas corta-fogo (PCF), selagens em shafts e passagens de tubulações, e o Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento (CMAR). Falhas nesses elementos podem transformar um pequeno foco de incêndio em uma tragédia.
A inobservância das normas de compartimentação pode ocorrer em diversas etapas, desde o projeto até a manutenção diária. Conhecer esses erros é o primeiro passo para preveni-los.
1. Inadequação e Falha na Manutenção de Portas Corta-Fogo (PCF)
Erro Comum: PCFs travadas abertas, danificadas, sem mola de fechamento automático ou com batentes inadequados. Uma PCF travada por qualquer objeto (calço, corrente, etc.) perde sua funcionalidade.
Consequência: Propagação rápida de fumaça tóxica e fogo para rotas de fuga e outros pavimentos, dificultando a evacuação e o combate.
Custo Real da Falha: Reparos emergenciais de portas (R$ 800-R$ 3.000 por unidade), multas do Corpo de Bombeiros (R$ 1.000-R$ 10.000 por infração), custos de evacuação e danos materiais em caso de incêndio.
Como o Checklist Ajuda: Inclui itens específicos para verificação de PCFs:
- "As portas corta-fogo estão desobstruídas e fechando automaticamente?"
- "As portas corta-fogo apresentam danos estruturais ou ferragens comprometidas?"
- "As molas e dobradiças das PCFs estão funcionando adequadamente?"
2. Selagem Inadequada de Shafts e Passagens de Instalações
Erro Comum: Aberturas em shafts de elétrica, hidráulica, gás e ventilação sem selagem corta-fogo adequada entre os pavimentos. Frequentemente, são vedadas com materiais combustíveis (espuma PU comum, gesso sem tratamento) ou ficam abertas.
Consequência: Criação de "chaminés" que permitem a rápida ascensão do fogo e da fumaça por toda a edificação, comprometendo a compartimentação vertical.
Custo Real da Falha: Contratação de empresa especializada para selagem corta-fogo (R$ 150-R$ 500 por passagem), reprovação em vistorias do Corpo de Bombeiros, risco de danos catastróficos.
Como o Checklist Ajuda: Inclui verificações detalhadas para shafts:
- "Todas as passagens de shafts e instalações (elétrica, hidráulica, gás, ventilação) entre pavimentos possuem selagem corta-fogo com material resistente ao fogo (ex: manta cerâmica, argamassa intumescente)?"
- "A selagem está íntegra, sem frestas ou aberturas?"
3. Alterações Irregulares na Edificação
Erro Comum: Reformas em unidades privativas ou áreas comuns que removem paredes corta-fogo, alteram o layout das rotas de fuga ou comprometem a integridade de elementos de compartimentação sem autorização e adequação técnica.
Consequência: Eliminação de barreiras essenciais contra o fogo, descaracterizando o projeto de segurança original e aumentando exponencialmente o risco de incêndio.
Custo Real da Falha: Multas e exigências de reversão (podendo ultrapassar R$ 20.000,00), inviabilidade de obtenção ou renovação do AVCB, e responsabilidade civil e criminal do síndico em caso de sinistro.
Como o Checklist Ajuda: Auxilia na identificação de alterações que afetam a compartimentação, alertando para a necessidade de consulta ao projeto original:
- "Existem evidências de remoção ou modificação de paredes corta-fogo ou elementos estruturais próximos a rotas de fuga?" (Este item direciona a uma análise mais profunda).
4. Uso de Materiais de Acabamento e Revestimento (CMAR) Inadequados
Erro Comum: Aplicação de forros, pisos, cortinas, estofados ou revestimentos de parede em rotas de fuga ou áreas de grande circulação com materiais que propagam chama rapidamente ou liberam fumaça tóxica.
Consequência: Aumento da carga de incêndio, aceleração da propagação do fogo e produção de fumaça tóxica, principal causa de morte em incêndios.
Custo Real da Falha: Substituição dos materiais inadequados (custos variam de R$ 5.000 a R$ 50.000 ou mais), inviabilizando a aprovação do AVCB.
Como o Checklist Ajuda: Direciona a inspeção do CMAR:
- "Os materiais de acabamento e revestimento em rotas de fuga (corredores, escadas, hall) estão em conformidade com as exigências de CMAR (não combustíveis ou com baixa propagação de chama)?"
- "Existem revestimentos soltos ou danificados que possam comprometer a classificação do material?"
5. Falha na Manutenção de Sistema de Pressurização de Escadas
Erro Comum: Ausência de manutenção periódica em sistemas de pressurização de escadas de emergência, resultando em falha dos ventiladores, dutos obstruídos ou vazamentos, e portas corta-fogo que não vedam adequadamente o sistema.
Consequência: Ineficácia do sistema em manter a escada livre de fumaça, tornando a rota de fuga inabitável e perigosa durante um incêndio.
Custo Real da Falha: Reparos complexos em sistemas de ventilação (R$ 5.000-R$ 20.000), reprovação em vistoria, risco de evacuação mal-sucedida.
Como o Checklist Ajuda: Junto à rotina de zeladoria, ajuda a identificar problemas visíveis e a garantir a manutenção preventiva:
- "O sistema de pressurização da escada de emergência (se existente) apresenta sinais visíveis de mau funcionamento (ex: ventiladores inoperantes, dutos danificados)?" (Este item sugere a necessidade de acionar a manutenção especializada).
- "As portas corta-fogo da escada pressurizada estão fechando corretamente e vedando o ambiente?"
6. Desconhecimento do Projeto de Segurança Contra Incêndio
Erro Comum: Síndicos, zeladores e equipes de manutenção não possuem acesso ou conhecimento sobre o projeto de segurança contra incêndio e pânico (PSCIP) aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Sem esse conhecimento, é impossível identificar desvios e garantir a conformidade.
Consequência: Implementação de soluções inadequadas, reformas irregulares e falha na identificação de problemas, culminando em reprovação em vistorias e riscos crescentes.
Custo Real da Falha: Custos com consultorias para readequação, multas e a necessidade de refazer o projeto (R$ 5.000-R$ 20.000 para projeto básico, mais custos de execução).
Como o Checklist Ajuda: O uso do checklist força a consulta ao projeto, pois muitos itens remetem à conformidade com o que foi aprovado:
- "O síndico/zelador tem acesso à última versão do Projeto de Segurança Contra Incêndio e Pânico (PSCIP) aprovado pelo Corpo de Bombeiros?" (Este é um item inicial crítico para a eficácia do checklist).







