O gerenciamento eficaz da manutenção em condomínios é crucial para a valorização patrimonial e a segurança dos condôminos. Erros de manutenção podem acarretar em gastos desnecessários, desvalorização do imóvel e riscos à integridade física dos moradores e trabalhadores.
A Importância da Manutenção Preventiva e Preditiva
A manutenção predial em condomínios exige um plano de gestão que priorize ações preventivas e preditivas, conforme o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/02, artigos 1.331 a 1.358) e a Norma de Desempenho ABNT NBR 15.575/2013. A Lei nº 4.591/64 (Lei do Condomínio) já estabelecia a responsabilidade do síndico na conservação do edifício.
Uma abordagem proativa não apenas reduz custos a longo prazo, mas também garante a segurança e o conforto dos moradores, evitando problemas estruturais e operacionais. A ausência desse planejamento pode gerar uma série de falhas que comprometem a longevidade dos ativos e a saúde financeira do empreendimento.
Erros Comuns na Gestão da Manutenção Condominial

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A gestão da manutenção em condomínios apresenta desafios únicos. Identificar e corrigir os erros mais frequentes é o primeiro passo para uma administração eficiente.
Ausência de Inventário de Ativos
A falta de um inventário detalhado de todos os ativos é um equívoco fundamental. Sem um registro claro do que precisa ser mantido – como elevadores, bombas d'água, telhados, sistemas elétricos e hidráulicos, equipamentos de segurança contra incêndio e geradores – torna-se impossível planejar a manutenção de forma eficaz.
Consequências:
- Dificuldade na elaboração de orçamentos precisos.
- Perda de garantias de equipamentos por falta de manutenção.
- Desconhecimento da vida útil e histórico de cada item.
- Aumento da probabilidade de falhas inesperadas e caras.
Boas Práticas:
- Crie uma lista detalhada de todos os ativos, incluindo modelos, fabricantes, datas de instalação e garantias.
- Utilize softwares de gestão condominial para controlar esses ativos e seus planos de manutenção.
- Realize auditorias periódicas para atualizar o inventário.
Contratação Sem Escopo Técnico Definido
Contratar serviços de manutenção sem um escopo técnico claro é um dos erros mais dispendiosos. Quando síndicos ou zeladores não especificam detalhadamente o que deve ser feito, quais materiais utilizar, prazos e métricas de qualidade, abrem margem para serviços mal executados, custos adicionais e retrabalhos.

O controle eficiente de recebimento de encomendas na portaria garante segurança e organização aos moradores do condomínio
Consequências:
- Serviços incompletos ou de baixa qualidade.
- Desalinhamento entre as expectativas do condomínio e a execução do contratado.
- Disputas contratuais e jurídicas.
- Vulnerabilidade a fraudes e cobranças indevidas.
Boas Práticas:
- Elabore um Termo de Referência (TR) ou Memorial Descritivo detalhado antes de solicitar orçamentos.
- Inclua no contrato todas as especificações técnicas, cronogramas e responsabilidades.
- Exija referências e verifique a qualificação técnica dos prestadores de serviço.
- Monitore a execução para garantir a conformidade com o escopo.
Falta de Registro e Histórico das Manutenções
A carência de registros detalhados das atividades de manutenção realizadas é um erro crítico. Não ter um histórico acessível dificulta a identificação de padrões de falha, a gestão de garantias e o planejamento de manutenções futuras.
Consequências:
- Impossibilidade de avaliar a eficácia dos serviços prestados.
- Perda de informações importantes para futuros síndicos e zeladores.
- Dificuldade em comprovar a realização da manutenção em caso de sinistros ou fiscalizações.
- Tomada de decisões baseada em suposições, não em dados concretos.
Boas Práticas:
- Mantenha um livro de registros ou sistema digital para cada ativo, detalhando datas, serviços realizados, peças trocadas, responsáveis e custos.
- Solicite relatórios técnicos após cada intervenção.
- Digitalize documentos e crie um arquivo organizado e acessível.
Estratégias para Evitar Falhas Críticas na Manutenção
A adoção de estratégias proativas e a implementação de processos claros podem mitigar significativamente os erros de manutenção, garantindo a longevidade e a eficiência dos sistemas do edifício.
Postergar Itens Críticos por Redução de Custos
A tentação de adiar manutenções importantes para "economizar" a curto prazo é comum e perigosa. Itens como impermeabilização, revisão de elevadores, sistemas de combate a incêndio ou estruturas de concreto não podem ser postergados sem riscos graves.
Consequências:
- Danos estruturais que culminam em reparos muito mais caros.
- Riscos à segurança dos moradores e funcionários, podendo gerar acidentes.
- Incumprimento de normas regulamentadoras e leis, sujeitando o condomínio a multas e interdições.
- Desvalorização do patrimônio.
Boas Práticas:
- Crie um fundo de reserva robusto para despesas de manutenção importantes, conforme previsto no art. 1.350 do Código Civil.
- Priorize a segurança e a integridade da estrutura em todos os planos de manutenção.
- Considere o custo-benefício a longo prazo, não apenas o gasto imediato.
- Mantenha um cronograma de manutenção preditiva e cumpra-o rigorosamente.
Não Medir a Reincidência de Falhas
A falta de análise sobre a reincidência de falhas em equipamentos ou sistemas impede a resolução de problemas crônicos. Se um elevador apresenta o mesmo defeito repetidamente, por exemplo, tratá-lo sempre como um incidente isolado ignora a causa raiz.

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Consequências:
- Gastos excessivos com reparos superficiais e ineficazes.
- Interrupção frequente de serviços, causando insatisfação dos moradores.
- Desperdício de tempo e recursos da equipe de manutenção e zeladoria.
- Não identificação de equipamentos que precisam ser substituídos.
Boas Práticas:
- Implemente um sistema de registro de falhas que permita analisar a frequência e o tipo de defeito.
- Realize análises de causa raiz para entender por que as falhas estão ocorrendo.
- Considere a substituição de equipamentos obsoletos ou cronicamente problemáticos.
- Utilize os dados para negociar melhores termos com prestadores de serviço ou justificar investimentos em novos equipamentos.
Abordar esses erros de manutenção com seriedade e planejamento é fundamental para garantir a sustentabilidade, segurança e valorização do patrimônio condominial. A atuação conjunta do síndico e do zelador, amparada por ferramentas de gestão e conhecimentos técnicos, é a chave para o sucesso.

